quarta-feira, 6 de novembro de 2024

PRÊMIO “IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO” - 2024

 XVI CONCURSO NACIONAL DE CONTOS DE ARARAQUARA

PRÊMIO “IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO” 

Resultado Final 


Obras selecionadas Premiadas: 

1. Título do conto: A estrada Autora: Ana Laura Arnhold 

2. Título do conto: Elevador Autor: Roberto Basílio de Matos 

3. Título do conto: Brasis Autor: Rafael de Freitas Silva


https://www.araraquara.sp.gov.br/editais-da-cultura/xvi-concurso-nacional-de-contos-ignacio-de-loyola-brandao-resultado

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

VII Concurso Bunkyo de Contos

Com o tema “Amor em Tempos de Pandemia”, ao todo tivemos 334 inscrições, de 22 estados do Brasil, e no exterior: Alemanha, Argentina, Espanha, EUA, Moçambique, Portugal, Reino Unido, República Checa e Japão.

Confira abaixo os ganhadores do concurso:

  • 1º Lugar: “Gochisou”, Ayumi Teruya (Argentina)
  • 2º Lugar: “Rebento”, Roberto Basilio de Matos (SP)
  • 3º Lugar: “Camélia”, Angélica Massoca (Inglaterra)

Premiação: Os vencedores serão homenageados na cerimônia do Prêmio Bunkyo de Literatura do dia 9 de Novembro de 2024, que irá ocorrer no Salão nobre do Bunkyo (R São Joaquim, 381 – Liberdade – São Paulo) às 13h.

https://www.bunkyo.org.br/br/2024/10/resultado-vii-concurso-contos-2024/

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

3o. lugar no Prémio Literário Padre José Júlio Esteves Pinheiro

 

Semente

 

O apito do navio se fez ouvir em toda a extensão do porto, ecoando por entre as docas, como se fosse o lamento de um grande animal ferido. Um silêncio envergonhado tomou conta daqueles que permaneceram no cais, enxugando lágrimas antecipadas de saudades vindouras. No alto do convés, os lenços brancos - agitados ao vento pelos passageiros - de flâmulas de despedida, logo retornaram a sua função mais usual, de secarem mágoas.

O horizonte engoliu a embarcação lentamente, criando a ilusão de um tempo infinito. Mergulhada neste lapso temporal, Virgínia começava sua aventura rumo à América, em busca do marido, já emigrado meses antes. Não ia sozinha. Levava consigo a semente de esperança, plantada na terra pátria, e que agora seria cultivada no Brasil. Ela se negava a nomear essa semente que já se fazia notar em seu ventre. Menino ou menina, não importava, haveria de vingar, crescer e florescer! Virgínia ainda carregava em sua memória o luto da outra vida que se negara a germinar, vítima da miséria. Isso era evidente em seu rosto tão jovem, e em seus lábios, incapazes de desenharem um sorriso.

Virgínia pensava em sua família, naquela deixada na direção de onde o sol nascia, que agora chorava sua ausência, e naquela que a aguardava, onde o sol se retirava. Ambas distantes daquele oceano de tristezas em que navegava.

A longa travessia transcorreu como as ondas do vasto mar, com altos e baixos, calmarias e tempestades. Afinal, quando Virgínia já havia esquecido o que era fincar o pé em chão de terra, o navio aportou na cidade do Rio de Janeiro.

A chegada mudou o espirito de Virgínia. Pouco antes do navio firmar amarras, ela viu uma linda ave de plumas verdes e grande bico sobrevoar o convés, depois notou os inúmeros tons de verde que a vegetação daquela terra possuía, sentiu os odores de frutas nunca vistas, imaginou sabores doces, amargos, azedos e estranhos, jamais experimentados, e, finalmente, se juntou ao amor que a aguardava nesta terra nova, aquele que a ajudara a plantar a semente de esperança em si.

Ali mesmo, com as palavras “mar” e “rio” em sua mente, entre o mar que enfrentara durante semanas de viagem, e a cidade do Rio, que acabara de conhecer, Virgínia e seu marido decidiram pelo nome daquele que nasceria nesse novo lar, primeiro de tantas alegrias que sonhavam para o futuro: Mário.  Semeado no outro lado do mar, gestado lá e cá, nascido à beira do rio, e criado nesta nova pátria, Mario cresceu e ampliou a família.

E aqui estou, eu, neto de Virgínia, filho de Mário, a testemunhar que pátria não é o local em que se nasce, nem aquele de onde se vem, pois não são os Estados que nos definem. Pátria, mátria, frátria, não são lugares, estão sempre algures, alhures, nenhures... O que nos define é um estado de alma. É a este estado que todos nós pertencemos, humanos que somos.