sábado, 18 de abril de 2015

rafaela

Desenho de Sílvia Matos

Eu a via pequena,
na palma da minha mão,
e já era capaz de imaginá-la mulher.

Eu perseguia seus passos,
inseguros mas decididos,
abrindo caminhos desconhecidos.

Eu tocava sua pele,
descobria delicadezas femininas,
antes escondidas, lá dentro de mim.

Eu a ouvia murmurando,
ao pé de meu ouvido,
conselhos de uma sábia senhora.

Hoje eu a vejo mulher,
e, envolta em meus braços,
só consigo imaginá-la menina.
Me perco em seu abraço,
apertado e delicado,
e redescubro em mim,
 aquele antigo menino.

Se algo eu aprendi,
minha filha querida,
é que tudo pode ser reinventado.
Somos este eterno recomeço,
eu e você,
menino e menina,
pra sempre brincando
de viver a vida.