sexta-feira, 25 de outubro de 2024

VII Concurso Bunkyo de Contos

Com o tema “Amor em Tempos de Pandemia”, ao todo tivemos 334 inscrições, de 22 estados do Brasil, e no exterior: Alemanha, Argentina, Espanha, EUA, Moçambique, Portugal, Reino Unido, República Checa e Japão.

Confira abaixo os ganhadores do concurso:

  • 1º Lugar: “Gochisou”, Ayumi Teruya (Argentina)
  • 2º Lugar: “Rebento”, Roberto Basilio de Matos (SP)
  • 3º Lugar: “Camélia”, Angélica Massoca (Inglaterra)

Premiação: Os vencedores serão homenageados na cerimônia do Prêmio Bunkyo de Literatura do dia 9 de Novembro de 2024, que irá ocorrer no Salão nobre do Bunkyo (R São Joaquim, 381 – Liberdade – São Paulo) às 13h.

https://www.bunkyo.org.br/br/2024/10/resultado-vii-concurso-contos-2024/

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

3o. lugar no Prémio Literário Padre José Júlio Esteves Pinheiro

 

Semente

 

O apito do navio se fez ouvir em toda a extensão do porto, ecoando por entre as docas, como se fosse o lamento de um grande animal ferido. Um silêncio envergonhado tomou conta daqueles que permaneceram no cais, enxugando lágrimas antecipadas de saudades vindouras. No alto do convés, os lenços brancos - agitados ao vento pelos passageiros - de flâmulas de despedida, logo retornaram a sua função mais usual, de secarem mágoas.

O horizonte engoliu a embarcação lentamente, criando a ilusão de um tempo infinito. Mergulhada neste lapso temporal, Virgínia começava sua aventura rumo à América, em busca do marido, já emigrado meses antes. Não ia sozinha. Levava consigo a semente de esperança, plantada na terra pátria, e que agora seria cultivada no Brasil. Ela se negava a nomear essa semente que já se fazia notar em seu ventre. Menino ou menina, não importava, haveria de vingar, crescer e florescer! Virgínia ainda carregava em sua memória o luto da outra vida que se negara a germinar, vítima da miséria. Isso era evidente em seu rosto tão jovem, e em seus lábios, incapazes de desenharem um sorriso.

Virgínia pensava em sua família, naquela deixada na direção de onde o sol nascia, que agora chorava sua ausência, e naquela que a aguardava, onde o sol se retirava. Ambas distantes daquele oceano de tristezas em que navegava.

A longa travessia transcorreu como as ondas do vasto mar, com altos e baixos, calmarias e tempestades. Afinal, quando Virgínia já havia esquecido o que era fincar o pé em chão de terra, o navio aportou na cidade do Rio de Janeiro.

A chegada mudou o espirito de Virgínia. Pouco antes do navio firmar amarras, ela viu uma linda ave de plumas verdes e grande bico sobrevoar o convés, depois notou os inúmeros tons de verde que a vegetação daquela terra possuía, sentiu os odores de frutas nunca vistas, imaginou sabores doces, amargos, azedos e estranhos, jamais experimentados, e, finalmente, se juntou ao amor que a aguardava nesta terra nova, aquele que a ajudara a plantar a semente de esperança em si.

Ali mesmo, com as palavras “mar” e “rio” em sua mente, entre o mar que enfrentara durante semanas de viagem, e a cidade do Rio, que acabara de conhecer, Virgínia e seu marido decidiram pelo nome daquele que nasceria nesse novo lar, primeiro de tantas alegrias que sonhavam para o futuro: Mário.  Semeado no outro lado do mar, gestado lá e cá, nascido à beira do rio, e criado nesta nova pátria, Mario cresceu e ampliou a família.

E aqui estou, eu, neto de Virgínia, filho de Mário, a testemunhar que pátria não é o local em que se nasce, nem aquele de onde se vem, pois não são os Estados que nos definem. Pátria, mátria, frátria, não são lugares, estão sempre algures, alhures, nenhures... O que nos define é um estado de alma. É a este estado que todos nós pertencemos, humanos que somos.



sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Concurso Literário Paulo Setúbal 2023

 Esse meu poema recebeu Menção Honrosa em Poesia no Concurso Literário Paulo Setúbal.

Na intenção de chamar a atenção dos julgadores, eu o inscrevi sob o seguinte pseudônimo:
“de Cida de Vagar”
Parece que deu certo.
No mais, a palavra, se mente, o poema desmente.



domingo, 1 de setembro de 2019

LIVRO ESCRITO POR PAI E FILHA É LANÇADO NO RIO E SÃO PAULO



“NOSSO DIÁRIO: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao outro" tem pai e filha como autores.


Imagine um livro para ser lido a dois, por pais e filhos, um diário da viagem de um pai e sua filha de 13 anos, cartas de afeto entre duas gerações. Assim é "Nosso diário: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao outro", de Roberto Basílio de Matos e Rafaela Brandi Matos, da editora Bambolê, que será lançado no Rio de Janeiro dia 08 de setembro durante a XIX Bienal do livro, e em São Paulo na Livraria da Vila no dia 28 de setembro.


Da realidade à ficção

Quando, em 2013, o autor e dramaturgo Roberto Basílio de Matos pensou em escrever um livro em formato de diário para adolescentes, já existiam vários livros assim, escritos por jovens e adultos. Porque escrever mais um? Roberto resolveu que não escreveria sozinho. Convidou sua filha Rafaela, então com 13 anos, para que criassem uma história de ficção a partir de seus diários de viagem e de suas experiências cotidianas. Um livro que refletisse as diferentes perspectivas da relação entre pais e filhos, atingindo o leitor jovem de qualquer idade. Juntos, pai e filha, fizeram um livro-diário com os dois pontos de vista: o do pai e o da filha. Um livro escrito a dois para ser lido a dois, por pais e filhos.

“Tomado pelo impulso, comprei os dois cadernos e mais duas canetas, lindas, antigas, daquelas de bico de pena.
Em casa, diante dos cadernos que descansavam ao lado do computador, me achei velho, antiquado. Como é que eu iria dar aquele pedaço de passado para minha filha? Ela tinha acabado de me pedir um smartphone de Natal, e eu agora vinha com um caderno velho, junto com uma caneta da época do avô?!”. (trecho do diário do pai)

Contemplado no Concurso para bolsa de incentivo à criação literária no estado de São Paulo - infantil e/ou juvenil do Proac 2013, "Nosso diário: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao outro" foi escolhido pela Editora Bambolê em uma chamada pública de originais.

O processo de criação

            “Em 2013, eu e minha filha Rafaela, então com 13 anos, fizemos uma viagem de mais 1.000 km de carro até a Argentina para conhecer as Cataratas do Iguaçu; pedi a Rafaela que escrevesse seu próprio diário, enquanto eu escrevia o meu. Terminada a viagem, compartilhamos os textos e iniciamos a criação do livro.”
Em pleno processo de escritura, pai e filha se viram separados por conta de uma viagem de trabalho do pai, que também é ator, para Frankfurt, Alemanha: "Continuamos a escrever, por quase um mês, à distância, por e-mails. Escrevíamos textos sobre saudade, distancia, amor, fronteiras."
Segundo Rafaela, que agora está com 18 anos e estuda Veterinária: “Escrever com meu pai foi, com certeza, muito gostoso. Eu me divertia ao escrever a minha versão e depois ler a dele e comparar a visão de cada um. Ter tido essa oportunidade foi extremamente especial e nos uniu ainda mais. Posso dizer que amei o resultado e o processo todo foi muito divertido, um momento único!"
Em Nosso Diário, pai e filha descrevem suas impressões, suas dúvidas, medos e alegrias. Ao longo do livro, as diferenças vão se revelando. Diferenças que evidenciam gerações, mas que também aproximam através do afeto. No final da viagem ambos fazem uma descoberta incrível: um presente que nenhum deles jamais teria imaginado.  

“Tenho muitos medos: medo de altura, medo de prova de matemática, de ficar sozinha muito tempo, de lugares cheios de gente, dos efeitos colaterais de remédios, de falar em público, de não saber o que falar, muitos medos. Mas eu também descobri que tudo isso pode ser resumido num só medo: medo do que eu não sei o que será.” (trecho do diário da filha)

Serviço:


Lançamento do livro e sessão de autógrafos com autores.

“Nosso diário: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao outro”.

De Roberto Basílio de Matos e Rafaela Brandi Matos.

Editora Bambolê



Rio de Janeiro

XIX Bienal Internacional do Livro Rio

Riocentro - Pavilhão 4 - verde - Estande da Bambolê

Data: 08 de setembro        

Hora: 14:00



São Paulo

Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 - Pinheiros 

Telefone: (11) 3814-5811

Data: 28 de setembro        

Hora: 15:00 as 18:00




domingo, 25 de agosto de 2019

Gaiola.


Ave em gaiola não tem encanto.

Passarinho só, em um canto?

Tenha dó!

Só há canto lá na natureza.

Aqui dentro, espanto e tristeza.


domingo, 18 de agosto de 2019

sexta-feira, 15 de junho de 2018

"Longitude 33o. Oeste" pré-selecionado no Prêmio SESC de Literatura 2018


O Romance "Longitude 33o. Oeste" foi pré-selecionado no Prêmio SESC de Literatura 2018!

As comissões finais foram formadas por Daniel Galera e Letícia Wierzchowski (Conto) e Beatriz Rezende e Flávio Carneiro (Romance), que selecionaram os vencedores dentre as obras pré-selecionadas listadas abaixo.



ROMANCE


  • A CASA DAS BOLSAS - JULIANA MILMAN CERVO
  • A CIDADE E OS NOMES - VIVALDO LIMA TRINDADE
  • A LENDA DE UAKYTO - CELSO LUIZ COSTA
  • ALMA MATER - LUIZ FERNANDO BRUSSOLO
  • AS CONFISSÕES DE BENITO BALTAZAR - MARCOS CESAR DA SILVA
  • AS SOMBRAS DE NOSSAS CONFISSÕES - BRUNO GABRIEL CASSEMIRO ASSUNÇÃO
  • ATÉ ONDE O AMOR FOR CAPAZ DE ME LEVAR - ROMILDO GALDINO DOS SANTOS
  • BREVE RELATO DE CASO DE UM ENTE ESQUECIDO - LUCAS RAPHAEL CAITANO LAURENTINO
  • CARNAVAL DARK - MARCOS DE AQUINO SANTOS
  • CATÁLOGO DE RESSENTIMENTOS - SAMIR MARTINS ARRAGE JÚNIOR
  • FRENTE FRIA - LUCIO DE SOUZA CARVALHO JÚNIOR
  • HISTÓRIAS DE JÚLIA - SUÊNIO CAMPOS DE LUCENA
  • LONGITUDE 33º OESTE - ROBERTO BASÍLIO DE MATOS
  • MAGDALENA USA AS MÃOS - JULIANA LEITE ARANTES
  • NÃO ARRANQUEM OS VERMES DE MIM - ANDERSON BERNARDES
  • NASCI SEM UM CAMINHO DE VOLTA - RAIMUNDO NONATO LOPES NETO
  • NO BEIJO ESTAVA O SILÊNCIO LOQUAZ - MARCELLO RICARDO ALMEIDA
  • O HORIZONTE É UMA PAREDE - ANDRÉ CÚNICO VOLPATO
  • O QUE PESA NO NORTE - TIAGO DANTAS GERMANO
  • O SOM DO UNIVERSO - FERNANDA MEIRELLES DA ROCHA
  • O TREM PARA KANDOOLA - RÔMULO CÉSAR LAPENDA RODRIGUES DE MELO
  • PEQUENO JESUS - CARLOS HENRIQUE DE ARAUJO
  • REMISNUERA - LUIZ CARLOS JUNQUEIRA MACIEL
  • RUI ROSCO - ANGELA ISSLER MARSIAJ
  • VIOLETA - AMANDA CRISTINA MADOGLIO HENRIQUE