Em
um processo de mudança, de uma casa para um apartamento, de uma vida solitária
para uma vida solidária, nos desfazemos dos excessos em direção ao essencial. E
este processo nos leva a dois movimentos, em geral opostos, mas que entendo
complementares. O primeiro deles é o de desapego. Em uma sociedade em que os
objetos assumem valores que deveriam ser exclusivos das relações humanas, doar
ou reciclar objetos cuja função não têm mais sentido em nossas vidas é
fundamental e nos leva ao segundo movimento: a valorização. Não estou falando
da valoração, ou seja da atribuição de um valor econômico ou mercadológico a
eles, mas sim da descoberta de outros valores (simbólicos, míticos,
emocionais,etc.) que tais objetos nos revelam. Neste processo, a grande mudança
não é o transporte de móveis de um espaço para outro, mas a construção de novos
espaços dentro de nós que criam novas possibilidades de movimentos e relações
com o mundo.
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