Eu estava
de férias na Bahia, com os pés na areia, os olhos no mar verde e a cabeça vazia
como o céu azul, sem nuvens. Sentado na praia, olhava a maré subir e cobrir aos
poucos os corais que se estendiam até bem longe, quase chegando ao horizonte. O
Sol se retirava no mesmo ritmo da maré, lento e contínuo.
Então algo
me chamou a atenção.
As
crianças, pequenas e graúdas, corriam afoitas para um canto da praia, ali onde
a areia se encontra com a vegetação, onde se escondem os lagartos e os siris. O
que mais se escondia lá, para chamar tanta atenção? Corri como as crianças e
descobri.
Saindo da
areia, como pequenos seres pré-históricos que se desenterram, centenas de
filhotes de tartaruga emergiam da areia e corriam desajeitadas em direção ao
mar. As crianças gritavam eufóricas, acompanhando a difícil caminhada das
tartarugas rumo às ondas. O mar as engolia sem pressa, uma após a outra. Na água, sumiam ligeiras em meio às ondas,
nadando ao mar aberto.
Olhava
aquelas minúsculas tartarugas povoando o oceano como pequenas ilhas flutuantes
que cresceriam pelo Atlântico. Daquelas que não naufragassem, teríamos notícias
só daqui a 20, talvez 30 anos, quando já maduras, voltariam a colonizar o
continente, depositando seus ovos na costa, naquele mesmo local em que
estávamos agora.
E assim,
viajando no tempo, imaginei as avós e bisavós e tataravós das tartarugas que
sempre depositaram seus ovos nesta mesma praia, sob este mesmo sol e mar.
Imaginei os índios pequeninos, acompanhados dos pais a observarem o mesmo
espetáculo de agora. Imaginei o quanto modificamos essa paisagem ao longo dos
séculos. Imaginei o que será desta praia daqui a trinta anos, quando algumas
daquelas tartarugas que agora mergulhavam no mar, voltariam para a terra firme,
depositando suas esperanças de futuro.
Imaginei tudo
isso olhando para aquele imenso mar desconhecido e desejei boa-sorte às ilhas
flutuantes.
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