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| Desenho de Sílvia Matos |
Eu a via pequena,
na palma da minha mão,
e já era capaz de imaginá-la mulher.
Eu perseguia seus passos,
inseguros mas decididos,
abrindo caminhos desconhecidos.
Eu tocava sua pele,
descobria delicadezas femininas,
antes escondidas, lá dentro de mim.
Eu a ouvia murmurando,
ao pé de meu ouvido,
conselhos de uma sábia senhora.
Hoje eu a vejo mulher,
e, envolta em meus braços,
só consigo imaginá-la menina.
Me perco em seu abraço,
apertado e delicado,
e redescubro em mim,
aquele antigo menino.
Se algo eu aprendi,
minha filha querida,
é que tudo pode ser reinventado.
Somos este eterno recomeço,
eu e você,
menino e menina,
pra sempre brincando
de viver a vida.
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