sábado, 12 de novembro de 2022
domingo, 1 de setembro de 2019
LIVRO ESCRITO POR PAI E FILHA É LANÇADO NO RIO E SÃO PAULO
“NOSSO DIÁRIO: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao outro" tem pai e filha como autores.
Imagine um livro para ser lido a dois, por pais e filhos, um diário da
viagem de um pai e sua filha de 13 anos, cartas de afeto entre duas gerações.
Assim é "Nosso diário: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo
que escreveram um ao outro", de Roberto Basílio de Matos e Rafaela Brandi
Matos, da editora Bambolê, que será lançado no Rio de Janeiro dia 08 de
setembro durante a XIX Bienal do livro, e em São Paulo na Livraria da Vila no
dia 28 de setembro.
Da realidade à ficção
Quando, em 2013, o autor e dramaturgo Roberto Basílio de Matos pensou em
escrever um livro em formato de diário para adolescentes, já existiam vários
livros assim, escritos por jovens e adultos. Porque escrever mais um? Roberto
resolveu que não escreveria sozinho. Convidou sua filha Rafaela, então com
13 anos, para que criassem uma história de ficção a partir de seus diários de
viagem e de suas experiências cotidianas. Um livro que refletisse as diferentes
perspectivas da relação entre pais e filhos, atingindo o leitor jovem de
qualquer idade. Juntos, pai e filha, fizeram um livro-diário com os dois pontos
de vista: o do pai e o da filha. Um livro escrito a dois para ser lido a dois,
por pais e filhos.
“Tomado pelo impulso, comprei os dois cadernos e mais duas canetas,
lindas, antigas, daquelas de bico de pena.
Em casa, diante dos cadernos que descansavam ao lado do computador, me
achei velho, antiquado. Como é que eu iria dar aquele pedaço de passado para
minha filha? Ela tinha acabado de me pedir um smartphone de Natal, e eu agora
vinha com um caderno velho, junto com uma caneta da época do avô?!”. (trecho do
diário do pai)
Contemplado no Concurso para bolsa de incentivo à criação literária no
estado de São Paulo - infantil e/ou juvenil do Proac 2013, "Nosso diário:
confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que escreveram um ao
outro" foi escolhido pela Editora Bambolê em uma chamada pública de
originais.
O processo de criação
“Em 2013, eu e minha filha Rafaela, então com 13 anos, fizemos uma viagem de mais 1.000 km de carro até a Argentina para conhecer as Cataratas do Iguaçu; pedi a Rafaela que escrevesse seu próprio diário, enquanto eu escrevia o meu. Terminada a viagem, compartilhamos os textos e iniciamos a criação do livro.”
Em pleno processo de escritura, pai e filha se viram separados por conta
de uma viagem de trabalho do pai, que também é ator, para
Frankfurt, Alemanha: "Continuamos a escrever, por quase um mês, à
distância, por e-mails. Escrevíamos textos sobre saudade, distancia, amor,
fronteiras."
Segundo Rafaela, que agora está com 18 anos e estuda Veterinária: “Escrever
com meu pai foi, com certeza, muito gostoso. Eu me divertia ao escrever a minha
versão e depois ler a dele e comparar a visão de cada um. Ter tido essa
oportunidade foi extremamente especial e nos uniu ainda mais. Posso dizer que
amei o resultado e o processo todo foi muito divertido, um momento único!"
Em Nosso Diário, pai e filha descrevem suas impressões, suas dúvidas,
medos e alegrias. Ao longo do livro, as diferenças vão se revelando. Diferenças
que evidenciam gerações, mas que também aproximam através do afeto. No final da
viagem ambos fazem uma descoberta incrível: um presente que nenhum deles jamais
teria imaginado.
“Tenho muitos medos: medo de altura, medo de prova de matemática, de
ficar sozinha muito tempo, de lugares cheios de gente, dos efeitos colaterais
de remédios, de falar em público, de não saber o que falar, muitos medos. Mas eu também descobri que tudo isso pode ser resumido num só medo: medo
do que eu não sei o que será.” (trecho do diário da filha)
Serviço:
Lançamento do livro e sessão de autógrafos com autores.
“Nosso diário: confidências de um pai e uma filha e (quase) tudo que
escreveram um ao outro”.
De Roberto Basílio de Matos e Rafaela Brandi Matos.
Editora Bambolê
Rio de Janeiro
XIX Bienal Internacional do Livro Rio
Riocentro - Pavilhão 4 - verde - Estande da Bambolê
Data: 08 de setembro
Hora: 14:00
São Paulo
Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 - Pinheiros
Telefone: (11) 3814-5811
Data: 28 de setembro
Hora: 15:00 as 18:00
domingo, 25 de agosto de 2019
domingo, 18 de agosto de 2019
sexta-feira, 15 de junho de 2018
"Longitude 33o. Oeste" pré-selecionado no Prêmio SESC de Literatura 2018
O Romance "Longitude 33o. Oeste" foi pré-selecionado no Prêmio SESC de Literatura 2018!
As comissões finais foram formadas por Daniel Galera e Letícia Wierzchowski (Conto) e Beatriz Rezende e Flávio Carneiro (Romance), que selecionaram os vencedores dentre as obras pré-selecionadas listadas abaixo.
ROMANCE
-
A CASA DAS BOLSAS - JULIANA MILMAN CERVO
- A CIDADE E OS NOMES - VIVALDO LIMA TRINDADE
-
A LENDA DE UAKYTO - CELSO LUIZ COSTA
-
ALMA MATER - LUIZ FERNANDO BRUSSOLO
- AS CONFISSÕES DE BENITO BALTAZAR - MARCOS CESAR DA SILVA
- AS SOMBRAS DE NOSSAS CONFISSÕES - BRUNO GABRIEL CASSEMIRO ASSUNÇÃO
- ATÉ ONDE O AMOR FOR CAPAZ DE ME LEVAR - ROMILDO GALDINO DOS SANTOS
-
BREVE RELATO DE CASO DE UM ENTE ESQUECIDO - LUCAS RAPHAEL CAITANO LAURENTINO
-
CARNAVAL DARK - MARCOS DE AQUINO SANTOS
- CATÁLOGO DE RESSENTIMENTOS - SAMIR MARTINS ARRAGE JÚNIOR
- FRENTE FRIA - LUCIO DE SOUZA CARVALHO JÚNIOR
- HISTÓRIAS DE JÚLIA - SUÊNIO CAMPOS DE LUCENA
- LONGITUDE 33º OESTE - ROBERTO BASÍLIO DE MATOS
- MAGDALENA USA AS MÃOS - JULIANA LEITE ARANTES
-
NÃO ARRANQUEM OS VERMES DE MIM - ANDERSON BERNARDES
-
NASCI SEM UM CAMINHO DE VOLTA - RAIMUNDO NONATO LOPES NETO
-
NO BEIJO ESTAVA O SILÊNCIO LOQUAZ - MARCELLO RICARDO ALMEIDA
- O HORIZONTE É UMA PAREDE - ANDRÉ CÚNICO VOLPATO
- O QUE PESA NO NORTE - TIAGO DANTAS GERMANO
- O SOM DO UNIVERSO - FERNANDA MEIRELLES DA ROCHA
- O TREM PARA KANDOOLA - RÔMULO CÉSAR LAPENDA RODRIGUES DE MELO
- PEQUENO JESUS - CARLOS HENRIQUE DE ARAUJO
- REMISNUERA - LUIZ CARLOS JUNQUEIRA MACIEL
- RUI ROSCO - ANGELA ISSLER MARSIAJ
- VIOLETA - AMANDA CRISTINA MADOGLIO HENRIQUE
sábado, 28 de outubro de 2017
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Prêmio Lusofania para o conto "Guarda-chuva? Guarda-chuva!"
É com satisfação que recebo o Prêmio Lusofania por meu conto infantil "Guarda-chuva? Guarda-chuva!".
Segue o link com a premiação na cidade de Trofa em Portugal.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
O Mercado da Vila.
Morar
na Vila Madalena significa vivenciar o avanço inexorável do mercado no seu
cotidiano. Quando escrevo mercado não estou me referindo ao incrível avanço dos
grandes empreendimentos imobiliários que derrubam quarteirões inteiros das
antigas casinhas da Vila, ou do aumento de bares e restaurantes cobrando preços
cada vez mais salgados. Falo do Pão-de-açúcar, o mercado que começou a ser construído
há pouco em torno do prediozinho em que moro. Sim, prediozinho antigo, um só
elevador, garagem pequena, nenhuma área de lazer, exceto a vista da cidade se
estendendo no horizonte. Sorte minha que a obra do mercado não me tirou a
vista, pois a censurou para alguns moradores dos andares mais baixos.
Acompanho
a obra do mercado com curiosidade de menino de interior, vendo-a erguer um
edifício em poucos dias, levantando poeira, lançando ruídos ao vento,
movimentando a rua com caminhões e máquinas, as mais estranhas.
Mas
nenhuma máquina poderia me fazer brilhar os olhos infantis como o guindaste que
estacionou ao lado do prédio no meio da noite.
Interrompeu
meia pista da rua, fincou suas garras metálicas no asfalto, sacudiu-se,
ergueu-se, sempre raivoso e feroz, emitindo guinchos e rugidos. As pessoas a
sua volta pareciam formiguinhas desesperadas expulsas do formigueiro. Corriam
de um lado ao outro, sempre com pressa, carregando ferramentas, sinalizando aos
carros, vociferando com o monstro de aço.
O
curioso disto tudo é que em nenhum momento eu vi algum representante do poder
público para fiscalizar, controlar e cuidar dos cidadãos e do bem público que
aquela monumental máquina parecia ameaçar. Não que ela tenha causado algum dano
à rua ou às árvores em volta ou mesmo aos pedestres e carros que, assustados, fugiam
dali às pressas. Não foi o caso. Mas poderia ser. O trânsito foi orientado
pelos próprios amestradores do animal de ferro, que cravou suas garras na
calçada, tomando conta do espaço-tempo ao redor, lançando-me de volta à era dos
dinossauros.
O
Dinossauro de metal ergueu sua bocarra, segurando no ar uma espécie de
ventilador gigante, que imagino ser o refrigerador de ar. Colocou-o sobre o
teto da obra, passando a alguns metros de minha janela, fazendo-me sentir num
Parque temático (o tema eu não sei muito bem se pré-história ou ficção
científica). Terminado o serviço, foram-se todos: máquinas e homens, devolvendo
o silêncio (na medida do possível) à vizinhança.
Neste
momento, enquanto escrevo, escuto, além das buzinas, motores e ruídos da
cidade, um gemido estranho vindo do mercado, que já funciona a todo vapor. Um
ruído como de barriga com fome ou talvez de barriga cheia demais, que sai
continuamente do refrigerador que mantém as mercadorias fresquinhas dentro da
loja. Aqui fora, continuamos com esse calor de estufa. A Vila fica cada dia
mais quente, menos verde, mais abafada. Muito concreto e pouca abstração,
apesar de tantos grafittis. Seria bom se o mercado esfriasse um pouco e nos
deixasse relaxar um pouco. Agora estou falando daquele outro mercado, do qual
este mercado vizinho faz parte, é claro! Quanto a este mercado aqui, que geme
dia e noite, bom, acho que vou dar uma passadinha por lá. Não é pra comprar nada
não, que tá tudo caro demais. É pra aproveitar o ar condicionado (que lá dentro
é silencioso) e, quem sabe, esfriar minha cabeça.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Cena da trincheira II
Aqui, a trincheira é o mar azul, coberto de corpos boiando, que se estende em direção
ao ciclorama.
Ao fundo, no horizonte, brilhos de explosões.
Um agente da
imigração, na praia, de costas para o público, observa a cena.
A plateia
assiste a tudo num silêncio respeitoso.
O
agente inclina-se e retira o corpo de uma criança do mar, um boneco de
ventríloquo.
Quando o agente se vira para a plateia, está vestindo um smoking,
é um apresentador.
Apresentador
- Boa noite, senhoras e senhores! Sejam muito bem-vindos ao meu teatro. Eu sou
o mestre de cerimônias e este aqui é meu coleguinha. Olá, como é o seu nome?
O boneco
permanece imovel.
Apresentador
- Que falta de educação! Diga oi a todos!
Boneco
imóvel.
Apresentador
- Me desculpem, senhoras e senhores, ele é novo por aqui. Não tem bons modos!
Ei, fale alguma coisa!
Boneco
não se move.
Apresentador
- Ele não fala nossa língua, senhoras e senhores. É preciso paciência. Em breve
ele aprende.
O
boneco abre os olhos.
Apresentador
- Olhem só! Acordou! O que você tem a nos dizer?
Depois
de um longo silêncio ele vira a cabeça para um lado e para o outro, olhando em volta e
pergunta:
Boneco
- Estamos em paz?
O
apresentador olha para a plateia em silêncio.
Volta-se para o fundo do palco
com a criança nos braços.
Depois de um tempo a cabeça do (agora) agente de
imigração tomba para um lado, a do boneco para o outro.
A luz vai se apagando
lentamente. Apenas os brilhos de explosões ao fundo permanecem.
Ouvimos o som
do mar, depois estática de rádio que, aos poucos, sintoniza várias rádios com
notícias sobre os refugiados em inglês, italiano, francês, alemão, grego,
turco, etc...
domingo, 30 de agosto de 2015
Passeio de bicicleta
Um dia
desses resolvi experimentar a ciclovia e convidei minha filha mais velha. Convite
aceito, lá fomos nós!
Até
então minha visão da ciclovia era ou de pedestre, feliz por não correr mais o
risco de ser atropelado na calçada por uma bicicleta; ou de motorista de
automóvel, feliz por não correr mais o risco de atropelar uma bicicleta na rua.
Minha
experiência de pedestre é a de que as calçadas da cidade precisam ser
consertadas, pois estão cheias de buracos e mudam de textura, forma e tamanho
na frente de cada casa. E eu, vez por outra, dou o azar de tropeçar nestas
calçadas. Sempre achei estranha a responsabilidade da conservação da calçada
ser do morador, uma vez que é um bem público, o que acaba gerando a falsa ideia
de que a calçada na frente de cada casa é particular.
E minha
experiência de motorista é a de que as ruas da cidade precisam ser consertadas,
pois estão cheias de buracos e cada empresa que faz um buraco (para a água,
luz, gás, telefonia e etc.) deixa um remendo pior que o outro e eu, azarado que
sou, acabo sempre caindo no buraco. Sempre achei estranha, também, a ideia de
que dentro do carro as pessoas se sentem num mundo privado, embora estejam, na
verdade, em um espaço público – a rua. Nunca vi ninguém xingar o outro, de
dentro de seu terno Armani ou de seu Jeans, só porque o outro entrou na sua frente
na calçada, ou diminuiu a velocidade para entrar em casa sem sinalizar, ou
desviou rapidamente de uma pomba que ciscava no passeio público.
Assim,
não preciso comentar sobre os buracos na ciclovia (já os imaginava), ou sobre o
caso de que a ciclovia teria retirado o espaço dos carros (estes já nos tiraram
espaços demais na cidade).
Bom,
retomando a narrativa, lá fomos nós, eu e minha filha, em busca daquelas bicicletas
que certo Banco oferece no espaço público. Baixei o aplicativo do Banco A, mas
só encontrei bicicletas do Banco B. Depois de rodar um tanto, superei minha
falta de sorte e consegui retirar as bicicletas e usá-las sem gastar um tostão.
Fiquei pensando apenas no porquê de haver dois sistemas de bicicletas,
oferecidos no espaço público, por dois Bancos. Se querem nos oferecer um
serviço (ideia muito louvável), porque não unificam os sistemas? Afinal, as
bicicletas são utilizadas no espaço público, permitem aos Bancos publicidade no
espaço público e, portanto, para o bem público, seria bem melhor termos mais
locais onde pegar e devolver as bicicletas. É claro que isso daria um problema
enorme aos Bancos, pois imagine só o bicicletário do Banco A só com bicicletas
do Banco B! Ou vice-versa! Bom, então talvez devêssemos ter um sistema público
de bicicletas, unificado, que poderia vender espaço de publicidade para qualquer
Banco. Será mesmo que é uma boa ideia? Lembro-me agora dos pontos de ônibus que
possuem um espaço enorme para a publicidade e, no entanto, para o meu azar, dificilmente
encontro informações sobre as linhas que por lá passam, ou o mapa de transporte
urbano da cidade ou, ao menos, o trajeto das linhas mais próximas.
Mas
eu estava falando do meu passeio de bicicleta com minha filha. Resolvemos pegar
a Avenida Sumaré, em direção à Vila Madalena, e percebi (a duras penas, para
não dizer a duras pernas) que o tal trajeto é uma subida. Leve, mas infinita.
Aí me lembrei de alguém que disse que a cidade de São Paulo não foi feita para
bicicletas, pois tem muitas subidas. Mas onde tem subida, também tem descida!
Nada melhor do que descer desembestado numa ladeira, sentindo o vento no rosto.
Além do mais, se não é possível usar bicicleta na subida, também não deveria ser
possível usar os pés. Sim, porque não faltam ladeiras em São Paulo, e algumas impossíveis
até para os carros, especialmente em dias de chuva! E aí passei por baixo do
metrô, na estação Sumaré. E lembrei-me da ironia de termos uma estação chamada
Sumaré, que passa por cima da Avenida Sumaré, mas sem acesso à Avenida Sumaré!
Nem uma escadinha! Nada! Que azar!
E
assim, entre uma pedalada e outra, conversando sobre as contradições de São
Paulo, eu e minha filha (ciclistas e pedestres que fomos, ou somos, ou queremos
ser, como tantos nesta cidade), terminamos nosso passeio, felizes e cansados, subindo
a pé uma ladeira e ultrapassando a fila de carros que, praticamente
estacionados, mal conseguiam mover-se. Provavelmente alguém diria que era culpa
de alguma bicicleta espaçosa; outro, quem sabe, de algum pedestre que,
insolente, resolvera atravessar na faixa de segurança em pleno horário do rush;
e eu ousaria dizer que a culpa era de alguns carros a mais naquelas ruas,
justamente naquele horário, naquele dia, nesta cidade! Mas não, não pode ser.
Seria muito azar!
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